18/04/2019

Microcontos: conto, não conto

Essa difícil arte de escrever se faz com muitas ou poucas palavras.  Seja como for, economizar é exigir[…]

Essa difícil arte de escrever se faz com muitas ou poucas palavras.  Seja como for, economizar é exigir do mínimo o melhor da expressão. Não sei se consegui, mas vão aqui uns microcontos que nasceram pequenos para os leitores.

A dor do parto

Anos de sonho do casal, seis meses de esperança e o resto da vida mortos!

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Estranhos no Paraíso

Adão não tinha umbigo. Eva nasceu de um homem: pai dela e esposa dele. Eles não tiveram infância…

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Vício

Ele saiu e não voltou. Como sempre, ela esperava: comia amargo, bebia salobro. Outro dia, trouxeram o marido morto. Silêncio bizarro: finalmente ela viveria em paz!

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Depressão

Cloridrato de sertralina. Cloridrato de paroxetina. Cloridratos: às vezes, a vida parece uma droga!

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O bicho-homem

No lixão da cidadezinha, um homem coleta sobras de vidas inteiras: no supermercado da fome, o bicho-homem é só bicho, cem bocas e sem nomes.

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Coisa Pública

Nome: Servidor Público Federal. Idade: 6.500,00 reais. Estado civil: masculino. Sexo: solteiro. Profissão: Francisco Santos. Idade: parda. O resto é humanidade.

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Epopeia de um Zé Ninguém

Era uma vez um homem que morreu…

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Dois pensadores e um ônibus

– No busão teresinense só o ônibus é coletivo!

– As pessoas são acidentes de trânsito e de ego!

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