15/09/2019

Perna de pau, mão de ferro

A superação está em todos os lugares e acompanha a vida de cada um de nós.  Perna de[…]

A superação está em todos os lugares e acompanha a vida de cada um de nós. 

Perna de pau! Este era o apelido que os amigos de escola davam a mim quando jogávamos futebol nos tempos de colégio. Eu nunca fui feliz com a bola no pé: os amigos de turma não me deixavam esquecer isso: sempre me escalavam por último nas partidas de futebol.

Tínhamos 13 anos. Eu, sem fôlego profundo nos pulmões, adolescente nerd e tímido de nascimento, esperava alguém olhar para mim – ter esperança ou piedade – e me escalar para jogar no time da turma.

Como eu ficava por último nas escalações do time, estrava em campo com a vantagem dos adversários cansados. Mas coisa difícil era a bola chegar aos meus pés. Eu corria a quadra, a escola, o mundo inteiro atrás dela. Quando finalmente alcançava a bola (oba, peguei a bola!), uma leva de meninos lançava-se na direção da redonda para tirar de mim aquilo que eu mal havia tocado com os pés (ou teria sido com o coração!?).

 

Os jogos escolares

No meio do ano, vieram os Jogos Interclasses – o campeonato das salas de aula, a olimpíada dos alunos, a copa do mundo das turmas do colégio. Feliz, fui escalado na condição de reserva do zagueiro da minha turma. Os jogos seguiram: várias substituições e nada de mim.

Mas já na final do Interclasses, o diabo do nosso goleiro se machucou numa defesa espetacular e botaram a mim (nessas horas lembram da gente!), botaram a mim para proteger o gol e substituir o melhor goleiro do Interclasses.

O jogo corria 0 x 0. Aí veio o pênalti duvidoso contra minha turma, contra mim. O garoto que ia bater o pênalti, chamavam-no de incrível Hulk: tinha uma bomba no pé, seu chute entortava a bola de tanta força empregada naquele coice humano.

Do outro lado do pênalti, estava eu, o reserva do zagueiro com a missão impossível de defender a bomba do Hulk. Sentia-me diante de um pelotão de fuzilamento. Era o incrível Hulk, o time dele, a escola dele que bateria o pênalti contra mim…

 

A hora da verdade

Silêncio mortal. O juiz sem juízo apita para Hulk matar o Homem-Formiga. O menino dá um chutão. A bola dispara a mil quilômetros por segundo. E eu tenho que decidir: “se eu defender a bola, serei louvado pelos colegas, querido pelas garotas, o novo herói da escola; porém, se eu falhar, serei excluído da existência colegial, reduzido a vilão odiado por todos e xingado pelo tempo que existir escola”. Tudo isso cogitei buscando a aprovação dos outros. No que eu parei para pensar, deixei de agir e… Gooool!

A vitória do Hulk passou por minhas mãos, bateu na trave e entrou no gol. Por conta disso, ganhei dos meus queridos colegas o irônico apelido de mão de ferro. No ano seguinte não participei do Interclasses da escola (mais crescido, vi que não tinha que provar nada a ninguém, senão a mim mesmo).

Vi também que meu talento não estava nos pés, mas nestas mãos que serviram naquele ano para torcer pelo futebol da minha turma e hoje servem para contar histórias como essa.

 

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