20/11/2018

Escravidão: esqueceram quem te aboliu!

No próximo domingo, comemora-se mais um aniversário da abolição da escravatura no Brasil.  Aos 13 de Maio de[…]

No próximo domingo, comemora-se mais um aniversário da abolição da escravatura no Brasil.  Aos 13 de Maio de 1888, a maioria do Senado Imperial aprova a lei que decreta a liberdade dos cativos, a qual foi  sancionada pela Princesa Isabel.

Alguns crêem erroneamente que o evento da abolição poderia ter sido antecipad0, com apenas uma “canetada” do Imperador. Contudo, a história nos informa que, para se chegar a esta data, foi necessário um longo período de conversas, tentativas de persuasão dos donos de escravos, debates políticos entre as alas que queriam a abolição e as que queriam a continuidade do escravismo. O argumento para a continuidade era óbvio: “escravos eram propriedade de seus senhores”, que se utilizavam dessa mão de obra na execução das tarefas domésticas e imprescindível na lida das fazendas. Neste aspecto, a Família Imperial desempenhou importante papel. Dom Pedro II sempre foi grande entusiasta da liberdade plena de todos os cidadãos brasileiros, independente de sua cor ou origem. Um de seus primeiros atos quando da sua maioridade, foi o de dar forro a todos os seus escravos, os que ficaram consigo, porém, o ficaram como assalariados. Contraiu inclusive,  na mesma época, dívida de 60 contos de réis onde, anonimamente comprou um lote de escravos, libertando-os e empregando-os na Quinta de Santa Cruz, dando auxílio médico e instrução escolar aos filhos dos mesmos.

O historiador pode possuir lados, mas a História, não. Menciona-se muito pouco na mídia, por exemplo, a participação de intelectuais negros, inclusive amigos da família Imperial como o abolicionista José do Patrocínio. O próprio Luiz Gama, que impedido de tornar-se aluno da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo, conseguiu assistir as aulas como ouvinte e com o conhecimento adquirido, obteve a liberdade de mais de 500 escravos. Nem precisa mencionar: é sumariamente esquecido nesta data.

Apesar disso, em Teresina, por exemplo, (cidade que leva o  nome da mãe de Princesa Isabel) não se é sabido de nenhuma manifestação, neste período, que se tenha homenageado a Família Imperial Brasileira em sua luta pela abolição, ou qualquer outro dos verdadeiros abolicionistas. Pelo contrário, existe uma entidade  que leva o nome de Zumbi dos Palmares e que, supostamente, defende direitos e cultura de nossos patrícios negros. Chega a ser um paradoxo, o indivíduo que escravizou e tratou de forma truculenta seus próprios escravos, tratado como expoente da liberdade. Isso não é privilégio de Teresina, pois Zumbi tornou-se símbolo nacional do movimento negro. Alguns chegam inclusive a mencionar o papel de Ernesto Guevara na emancipação dos negros. Pelo contrário, Guevara tinha certa ojeriza pelos negros e hoje é reverenciado como herói.

Durante toda sua trajetória, o próprio Dom Pedro II esmerou-se pela liberdade dos cativos e arriscando perder o trono, como de fato ocorreu posteriormente,  galgou mais e mais passos rumo ao sonho de ver todos os seus súditos livres, independentes de sua cor. Vale à pena recordar que tiveram todo apoio da Família Imperial os projetos de Lei do Sexagenário, Lei do Ventre Livre e coroando este projeto, a Lei Áurea. Eventos que os líderes republicanos fizeram questão de riscar dos livros e da memória do povo brasileiro. O que dizer então? Escravatura: esqueceram quem te aboliu!

 

Democracia sem pluralidade

Em um país onde sempre imperou a lei do discurso único, aparecem sinais de mudança, mas o debate de ideias segue comprometido.

Evidentemente que não é tão simples significar um conceito tão complexo, mas uma das principais características da democracia, é sua definição refletida em um sistema de ordenamento social através do povo. Este, demanda sua vontade por meio de representantes constituídos, eleitos através do voto direto.

Desta forma, apreende-se que a participação do povo através do direito do voto, motiva uma participação maior deste nas tomadas de decisão. Assim, a ideia de democracia fomenta a participação das diversas manifestações culturais, religiosas e ideológicas no âmbito do debate público. Interesses diversos, embarcados pela diversidade de opiniões em um país em que liberdade de expressão é direito constituído, aponta então a existência de pluralidade.

Falar de pluralidade no Brasil soa muito bonito, pra não dizer que está na moda. A mídia de uma forma mais direta, adora este tema, principalmente se a tônica for mirada nas manifestações do politicamente correto. Desde que o politicamente correto desembarcou por essas bandas (como a maioria dos modismos cafonas vindos dos EUA), vemos uma série de acontecimentos irrelevantes tomarem grandes proporções, alimentando as pautas de jornalistas engajados na “causa”. Estes mesmos, são os que demonizam os retrógrados sem nenhuma piedade, sendo talvez este um dos maiores males do politicamente correto. Quando surge alguma voz discordante que se “atreve” a defender um ponto de vista diferente, é sumariamente execrado pela mídia mainstream. A patrulha do politicamente correto está de prontidão em todo o tempo. Isso atrapalha o debate de ideias, a discussão dos problemas sociais, pois as pessoas ficam com receio de falar o que realmente pensam sobre determinado assunto. O politicamente correto amordaça as pessoas. Um exemplo disso, é quando certo indivíduo se intitula como conservador. Toda ojeriza ganha ares de guerra campal onde, os politicamente corretos possuem licença para anular, não somente o discurso, mas muitas vezes o indivíduo. Mas isso não é privilégio de uma ou outra ideologia política. Esquerdistas e direitistas se digladiam nos bastidores do palco político. O teatro principal destas cenas tem sido já há algum tempo as redes sociais. Não existe debate: o que existe é uma tentativa de ridicularizar ou anular as convicções do outro. A discussão não evolui para o campo das idéias, ou para argumentos, ou para qualquer coisa que tenha sentido. Estabelece-se uma troca de acusações onde há de tudo, inclusive insultos aos ídolos de ambos os lados.

O que mais decepciona qualquer pessoa de bom senso, é que justamente as pessoas que encabeçam alguns dos vários movimentos de “emancipação”, “libertação”, “pela democracia”, “contra as desigualdades”, são os sujeitos mais seletivos e intolerantes. O que se constitui em evidente paradoxo, pois não unem discurso a pratica.

Vale à pena ressaltar que, num país com dezenas de partidos, a ideologia de cada um deles em muito se assemelha, onde deveria haver pluralidade, existe a conveniência. Onde o debate, a doutrinação. O brasileiro médio, acostumado a repetir os bordões da sua coletividade, ainda vai demorar um pouco a desenvolver senso crítico capaz de escolher por si. Enquanto isso, continuará lendo o folhetim do seu grupo de preferência e dizendo sim a todas as incoerências pregadas em nome do bem de uma surreal coletividade.

 

 

A compra de votos salvará a política

Estamos ás vésperas de um novo pleito político. Essa será a primeira eleição depois de um dos maiores escândalos de corrupção política que já vivemos.

É notório que Odebrecht, OAS, JBS e dezenas de outras empresas participaram do esquema que sustentou (e ainda sustenta) o grande projeto de poder dos partidos políticos brasileiros. Ideologias à parte, dificilmente algum partido se isentou de reclamar as benesses destes “capitalistas”. O povo assistiu atônito, (mas só durante algum tempo) o desvendar de toda essa trama que ainda trará novos capítulos. É importante salientar que, de todas esses financiadores, os irmãos Batista foram o que mais pulverizaram dinheiro por todo o país. Conseguiram ainda o feito de entregar um planilha com quase 2 mil candidatos beneficiados com seu “apoio”.

Esses descalabros só reforçaram ainda mais a ideia de que “político é tudo ladrão” (sic). Cidadãos esperançosos, assim como eu algum dia fui, tomaram um banho de ceticismo quanto aos rumos da política e dos políticos. Já tenho dito que a solução dos problemas de um país não está na política. A classe política não se perpetua ás rédeas do poder, como se tudo acontecesse através de algum encantamento. É um jogo onde se trocam os cenários, o repertório, mudam-se os nomes dos partidos, as estratégias de campanha, as propostas ganham um tom mais participativo; remendo novo em roupa velha, não passa disso.

Nos últimos meses debateram os modelos de voto, financiamento de campanha, entre outros assuntos pertinente a política, com o ensejo de mostrar ao povo que estão buscando alternativas para a crise política.

Mas que crise? A irmandade política é mais unida que qualquer sociedade secreta. Alguns bodes políticos são chamados à baila apenas para dar um tom teatral, o uso da arte cênica para ludibriar a rasa consciência de um povo inocente, ou não tão inocente assim.

Nas eleições do próximo ano muitos votarão em branco, usarão o nulo como válvula de escape para suas frustrações. Outros nem votarão, em protesto a essa subversão descarada dos detentores do poder. Mas nos fim, a compra de votos salvará a política e os políticos. E o que é melhor, desta vez com o seu dinheiro.

 

Fake News é show em desinformação

Desinformação não é um termo que deva ser desconsiderado, pois é bem mais que uma palavra qualquer. A desinformação envolve principalmente o que você assiste, ouve ou lê por aí

Apesar da arte de mentir e manipular a verdade estar presente na humanidade desde a queda do homem, a desinformação teve seu uso mais famoso a partir das ditaduras revolucionárias socialistas do século XX. A URSS compreendia que, a princípio, seria mais fácil dominar a mente das pessoas do que submetê-las pelo uso da força.

Assim,  o Governo Soviético poderia manobrar a grande massa de acordo com seus intentos malignos. Por isso se utilizou e aperfeiçoou as técnicas de desinformação: fabricando fatos, apresentando falsas testemunhas, criando documentos e provas para incriminar qualquer pessoa ou grupo que desejasse eliminar.

Ion Pacepa no seu livro Desinformação, afirma que esta técnica “é uma ferramenta de inteligência secreta, utilizada para outorgar falsas informações por meio de órgãos não governamentais para influenciar a opinião pública…”.

Conforme a Grande Enciclopédia Soviética, desinformação pode ser definida da seguinte forma:

DEZINFORMÁTSIYA: “Disseminação (veículos impressos, rádios, etc.) de falsos relatórios pretendendo enganar a opinião pública. A imprensa capitalista e as rádios fazem amplo uso da dezinformatsyia, com intuito de enganar as pessoas, emaranhando-as em mentiras, e descreve a nova guerra sendo preparada pelos Imperialistas Anglo-Americanos como uma arma defensiva, que descrevem as políticas pacífico-amorosas da URSS, e outros países democráticos, alegadamente agressivos.”

Onde as técnicas de desinformação não prevaleceram, a perseguição e a morte foram decisivas para os intentos comunistas.

Infelizmente, as técnicas de desinformação e persuasão estão mais vivas do que nunca. A mídia, que antes era conhecida por defender a opinião pública e trabalhar de forma imparcial, apoderou-se destas técnicas, mas não sem uma finalidade. Grandes corporações da mídia e das comunicações, principalmente as globais, possuem uma agenda própria. Suas novelas, seu produtos jornalísticos, programas de entrevistas, portais na internet e jornal impresso: todos seguem a agenda estabelecida pelos “donos da comunicação”.

O brasileiro médio não consegue perceber, mas aquilo que ele vê, ouve ou lê está contaminado por ideias e insights, envolvidos pelos seus interesses mais escusos. Estão bem perto de você: no jornal impresso, no Encontro pela manhã, no Jornal das 8:00, e nos Fantásticos dominicais.  Já é comprovado através de pesquisas que vários produtos da mídia, como as novelas, possuem um grande poder de influência na sociedade. Recentemente a novela Força do Querer trouxe como um dos seus motes o “incrível drama” de uma transgênero com dificuldade de aceitação. Com isso a autora Gloria Perez queria “mostrar que a dor de Ivana é universal”. Segundo a Veja, conseguiu. Mas será que era só isso mesmo?

O portal da Folha de São Paulo publicou no dia 28/08/2017 que  o drama de Ivana  “faz parte de uma estratégia da Globo por mobilização popular para discutir nas telas, sexualidade e identidade de gênero.” Deixemos o próprio artigo falar por si:  “Assim, um tema é abordado por vários programas. “Com ações em conjunto você dá a população um arcabouço de informações”. Ou posso dizer, uma ação orquestrada para desinformar e influenciar a população. O que a sociedade pensa não vale, o que a mídia expõe é que deve ser preponderante? Observe que não é só drama, é um pouco mais. 

Há várias décadas, a mídia está influenciando o comportamento da sociedade, inoculando seu veneno em doses homeopáticas, de forma quase indolor

Vejamos alguns exemplos recentes de desinformação. Não foi necessário ir muito longe, apenas a edição de 24/09/2017 do programa Fantástico, trouxe-nos várias amostras.

Sob a epígrafe de “Decisão de juiz que autoriza ‘cura gay’ causa mobilização e choque no Brasil”, a mídia global alardeou fartamente pela televisão e portais durante toda a semana passada, algum suposto desrespeito e afronta aos direitos dos homossexuais, o que mereceu inclusive espaço no Fantástico. Se o leitor tiver uma leitura da realidade, madura a ponto de não engolir essa, terá percebido que não passa de uma técnica de desinformação, que conseguiu distorcer a realidade. A bem da verdade, sabe-se que o homossexualismo não é doença (apesar de ter sido considerada com tal em um passado não distante). O homossexualismo é um comportamento humano, aprendido e praticado como qualquer outro comportamento e que pode ser mudado. O processo é oriundo de uma Ação Popular que questiona a Resolução 1/1990 do Conselho Federal de Psicologia, principalmente em seu 3º Artigo. O juiz considerou que uma interpretação equivocada da Resolução, pode restringir o trabalho dos psicólogos. Vejamos um trecho da decisão judicial:

“A fim de interpretar a regra em conformidade com a CF, a melhor hermenêutica a ser conferida àquela resolução deve ser no sentido de não privar o psicólogo de estudar ou atender aqueles que, voluntariamente, venham em busca de orientação acerca da sua sexualidade sem qualquer censura, preconceito ou discriminação”

O leitor certamente deve ter visto muitas expressões de ódio e preconceito nestas declarações do juiz Waldemar Cláudio de Carvalho. O homossexual que deseja mudar sua orientação sexual, tem o direito de fazê-lo quando quiser. E o psicólogo pode agora fazê-lo sem risco de sanção pelo Conselho de Psicologia que, arraigado por sentimentos totalitários, não gostou muito da decisão. É incrível como a mídia fala de liberdade, mas que liberdade é essa que a procura limitar a liberdade dos outros?

No mesmo programa, foi falado sobre as eleições para primeiro ministro na Alemanha. Segundo o que assisti ali, aprendi que “há um partido ultraconservador de extrema-direita (talvez isso seja uma redundância) com idéias nazistas e que está se apoderando da Alemanha, com vistas a implantar uma ditadura xenófoba e nacionalista”. Confesso que aquela reportagem me deixou com medo. A matéria refere-se ao Partido AfD (Alternativa para Alemanha) que possui orientação de direita e com o crescente número de ataques de terroristas muçulmanos, tem se posicionado contra o grande fluxo imigratório na Alemanha. Mas se você, assim como eu, não se satisfaz com tudo o que a mídia diz, saberá que desde a Segunda Guerra Mundial, fazer apologia ao nazismo na Alemanha é crime e que pode levar a três anos de prisão (Conforme 86º Artigo da Strafgesetzbuch). Configura-se portanto, mais um exagero com evidente objetivo de criar no telespectador estereótipos e reservas negativas, principalmente ao que se chama direita ou conservador e que a mídia extrapola o bom-senso ao adicionar o prefixo “ultra”.

Apesar de tudo isso, o Brasil segue como o segundo país do mundo que mais confia na mídia, segundo estudo realizado em 2016/2017 realizado pela Reuters em conjunto com a Universidade de Oxford

Caro leitor, hoje descobrimos que a desinformação tem sido uma das mais fortes e eficientes ferramentas de dominação da mente e manipulação dos fatos. É um acinte a inteligência de nosso povo. O que resta a você caro cidadão brasileiro, é não dobrar-se ás meias verdades proclamadas pelos meios de comunicação. O que observamos nestes dois exemplos é que a mídia nacional, tendo como seu representante mais poderoso e fiel a Rede Globo, demonstra claramente seguir uma agenda pró-LGBT e anti-conservadora. Mas com quais objetivos? Será que deseja apenas defender suas ideias em detrimento de outras? Onde está a liberdade de pensamento? Onde está o chamamento para o debate de idéias? Isso nos parece mais uma ditadura da opinião.

Sinto dizer caro leitor, mas o pior ainda está por vir.

 

 

Consulte mais informações e as fontes para este artigo:

Tradutores de Direita: O que é desinformação. http://tradutoresdedireita.org/entenda-o-que-e-desinformacao/

Veja: Acerto de Gloria Perez é mostrar que a dor de Ivana é universal. (veja.abril.com.br/entretenimento/acerto-de-gloria-perez-e-mostrar-que-a-dor-de-ivana-e-universal/)

Folha de São Paulo: Trans em ‘A Força do Querer’ faz parte de estratégia por mobilização social http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2017/08/1913533-trans-em-novela-da-globo-faz-parte-de-estrategia-por-mobilizacao-social.shtml

Portal Globo: Decisão de juiz que autoriza ‘cura gay’ causa mobilização e choque no Brasil – http://g1.globo.com/fantastico/edicoes/2017/09/24.html#!v/6170852

Sobre a ‘cura gay’:

Jota: As razões do juiz que liberou psicólogo oferecer cura gay. http://jota.info/justica/as-razoes-do-juiz-que-permite-psicologo-oferecer-cura-gay-18092017

Consultor Jurídico: Psicólogo pode atender quem busca orientação sobre sexualidade, diz juizhttp://www.conjur.com.br/2017-set-18/psicologo-atender-quem-busca-orientacao-sexualidade

A decisão do juiz Waldemar Claudio de Carvalho pode ser lida aqui: Ação Popular 101189-79.2017.4.01.3400 – http://s.conjur.com.br/dl/decisao-resolucao-conselho-federal.pdf:

A Resolução 1/1990 da CFP pode ser lida aqui: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/1999/03/resolucao1999_1.pdf

Angela Merkel é reeleita primeira-ministra na Alemanha -http://g1.globo.com/fantastico/edicoes/2017/09/24.html#!v/6171002

BBC: Por que é mais fácil ser neonazista nos EUA do que na Alemanha. http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40958924

Estudo da Reuters em conjunto com a Universidade de Oxford sobre a confiança na mídia: http://www.digitalnewsreport.org/survey/2017/overview-key-findings-2017/

 

 

 

Imposto é roubo!

Vou contar-lhe uma história, isso mesmo, com ‘h’ pois se baseia em fatos reais. Encerrava-se o ano de[…]

Vou contar-lhe uma história, isso mesmo, com ‘h’ pois se baseia em fatos reais.

Encerrava-se o ano de 2008. José da Silva de 22 anos, estudante de uma escola rural no interior do Piauí, estava cansado da lida sofrida do interior. Perdeu o pai antes de completar os 12 anos e sentiu o peso da responsabilidade de ajudar a mãe criar os outros cinco irmãos menores. Não tinha moleza: acordava bem antes de o sol começar a esquentar, pra cuidar da roça ou abater algum animal pra vender no povoado. Ainda lembrava o conselho do pai, mandando se esforçar pro estudo, que “essa vida de roça não é vida não!” Disso José não tinha dúvida, mesmo com atraso conseguiu sofrivelmente terminar o ensino médio. Tinha esperança de arrumar algum emprego na cidade. Alguns lhe chamaram de sortudo, quando na sua primeira entrevista conseguiu “fichar” numa loja de departamentos.  José era do interior, mas não era bobo de perder oportunidades. Tirou CPF, abriu conta no Banco do Brasil e suspirou eufórico: “agora virei gente!”. Ao receber o primeiro pagamento, foi reclamar com o gerente da loja por que não havia recebido o “valor completo”. Saiu de lá sem compreender como trabalhou um mês inteiro e não tinha recebido o ‘valor da carteira’, pois o governo lhe havia tirado uma parte. Pois bem, a vida continuou. Tinha desejo de crescer na vida e com seus esforços, conseguiu passar de zelador a vendedor em menos de um ano. Agora iria vestir “camisa por dentro”, “pano-passado”, sua mãe até comentou que ele iria mudar de “istartu”, palavra que ele não entendia muito bem, mas pensava ser algo bom.

Seus sonhos não eram tão grandes: o primeiro conseguiu logo realizar, deixou de comer poeira para fazer poeira encima de uma moto. Quase um ano depois, quando o nosso personagem começou a realizar o segundo sonho (construir uma casa de alvenaria pra mãe), o governo resolveu reduzir o IPI da linha de eletrodomésticos, o que alavancou e muito as vendas e as comissões de José,  começou a fazer uma poupança. O gerente de José havia lhe perguntado se ele não estava se preparando para a “mordida do leão”. Na sua ingenuidade de rapaz do “interior”, José não ligava muito para esses assuntos e achava que o “leão” estava longe dele.

O tempo passou, e como uma “marolinha” extemporânea, as boas vendas também. Contudo, José estava satisfeito e o valor que tinha guardado daria pra finalizar a construção iniciada no ano anterior. No dia seguinte, ele usou o horário do almoço para ir ao banco. Antes de chegar ao banco, encontrou uma blitz da polícia. Por ser um homem honesto, não esboçou nenhuma reação ao ser abordado. A autoridade policial logo lhe pediu os “documentos”. Qual foi sua surpresa, quando o policial o mandou descer da moto e lhe informou que ela seria apreendida: “Mas como? Paguei essa moto com meu trabalho senhor, não é roubada!”. José custou a entender que para andar na sua moto, comprada com seu suor, teria de pagar ao governo. Ele não achava isso legítimo. Porém, não poderia reclamar, afinal estava diante de um Agente do Estado. Então pensou consigo: “Não basta o desconto todo mês no meu salário, tenho que pagar ao Governo pra trabalhar e agora essa!”. Como nordestino que é, José não esmoreceu. Levantou a fronte e dirigiu-se ao banco, que não ficava distante dali. José não sabia, mas ao tentar sacar o dinheiro, sua conta estava bloqueada e fora orientado a procurar a Receita Federal, o que faria no dia seguinte.

Esses acontecimentos deixaram José preocupado, reflexivo. Não conseguiu dormir direito e por um momento pensou que as poucas coisas que tinha conquistado, lhe seriam arrebatadas de vez. De carona, chegou cedo ao Posto de Atendimento da Receita Federal onde descobriu que sua conta estava bloqueada por dever imposto de renda.

Transtornado, sentiu-se vilipendiado, abusado, roubado. Quase sem equilíbrio nas pernas, sentou-se. Um filme passa pela sua cabeça: lembra de todos os revezes que já passou pela vida. As muitas lutas, as poucas conquistas. Coagido, sentiu um peso maior do que poderia suportar. Naquele mesmo instante a esperança lhe fugiu do peito. Lágrimas começaram a correr em seus olhos. Seus lábios em um balbuciar incontido, replicavam sem cessar: – Imposto é roubo! Imposto é roubo!