24/01/2020

A compra de votos salvará a política

Estamos ás vésperas de um novo pleito político. Essa será a primeira eleição depois de um dos maiores escândalos de corrupção política que já vivemos.

É notório que Odebrecht, OAS, JBS e dezenas de outras empresas participaram do esquema que sustentou (e ainda sustenta) o grande projeto de poder dos partidos políticos brasileiros. Ideologias à parte, dificilmente algum partido se isentou de reclamar as benesses destes “capitalistas”. O povo assistiu atônito, (mas só durante algum tempo) o desvendar de toda essa trama que ainda trará novos capítulos. É importante salientar que, de todas esses financiadores, os irmãos Batista foram o que mais pulverizaram dinheiro por todo o país. Conseguiram ainda o feito de entregar um planilha com quase 2 mil candidatos beneficiados com seu “apoio”.

Esses descalabros só reforçaram ainda mais a ideia de que “político é tudo ladrão” (sic). Cidadãos esperançosos, assim como eu algum dia fui, tomaram um banho de ceticismo quanto aos rumos da política e dos políticos. Já tenho dito que a solução dos problemas de um país não está na política. A classe política não se perpetua ás rédeas do poder, como se tudo acontecesse através de algum encantamento. É um jogo onde se trocam os cenários, o repertório, mudam-se os nomes dos partidos, as estratégias de campanha, as propostas ganham um tom mais participativo; remendo novo em roupa velha, não passa disso.

Nos últimos meses debateram os modelos de voto, financiamento de campanha, entre outros assuntos pertinente a política, com o ensejo de mostrar ao povo que estão buscando alternativas para a crise política.

Mas que crise? A irmandade política é mais unida que qualquer sociedade secreta. Alguns bodes políticos são chamados à baila apenas para dar um tom teatral, o uso da arte cênica para ludibriar a rasa consciência de um povo inocente, ou não tão inocente assim.

Nas eleições do próximo ano muitos votarão em branco, usarão o nulo como válvula de escape para suas frustrações. Outros nem votarão, em protesto a essa subversão descarada dos detentores do poder. Mas nos fim, a compra de votos salvará a política e os políticos. E o que é melhor, desta vez com o seu dinheiro.

 

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