08/12/2019

Democracia sem pluralidade

Em um país onde sempre imperou a lei do discurso único, aparecem sinais de mudança, mas o debate de ideias segue comprometido.

Evidentemente que não é tão simples significar um conceito tão complexo, mas uma das principais características da democracia, é sua definição refletida em um sistema de ordenamento social através do povo. Este, demanda sua vontade por meio de representantes constituídos, eleitos através do voto direto.

Desta forma, apreende-se que a participação do povo através do direito do voto, motiva uma participação maior deste nas tomadas de decisão. Assim, a ideia de democracia fomenta a participação das diversas manifestações culturais, religiosas e ideológicas no âmbito do debate público. Interesses diversos, embarcados pela diversidade de opiniões em um país em que liberdade de expressão é direito constituído, aponta então a existência de pluralidade.

Falar de pluralidade no Brasil soa muito bonito, pra não dizer que está na moda. A mídia de uma forma mais direta, adora este tema, principalmente se a tônica for mirada nas manifestações do politicamente correto. Desde que o politicamente correto desembarcou por essas bandas (como a maioria dos modismos cafonas vindos dos EUA), vemos uma série de acontecimentos irrelevantes tomarem grandes proporções, alimentando as pautas de jornalistas engajados na “causa”. Estes mesmos, são os que demonizam os retrógrados sem nenhuma piedade, sendo talvez este um dos maiores males do politicamente correto. Quando surge alguma voz discordante que se “atreve” a defender um ponto de vista diferente, é sumariamente execrado pela mídia mainstream. A patrulha do politicamente correto está de prontidão em todo o tempo. Isso atrapalha o debate de ideias, a discussão dos problemas sociais, pois as pessoas ficam com receio de falar o que realmente pensam sobre determinado assunto. O politicamente correto amordaça as pessoas. Um exemplo disso, é quando certo indivíduo se intitula como conservador. Toda ojeriza ganha ares de guerra campal onde, os politicamente corretos possuem licença para anular, não somente o discurso, mas muitas vezes o indivíduo. Mas isso não é privilégio de uma ou outra ideologia política. Esquerdistas e direitistas se digladiam nos bastidores do palco político. O teatro principal destas cenas tem sido já há algum tempo as redes sociais. Não existe debate: o que existe é uma tentativa de ridicularizar ou anular as convicções do outro. A discussão não evolui para o campo das idéias, ou para argumentos, ou para qualquer coisa que tenha sentido. Estabelece-se uma troca de acusações onde há de tudo, inclusive insultos aos ídolos de ambos os lados.

O que mais decepciona qualquer pessoa de bom senso, é que justamente as pessoas que encabeçam alguns dos vários movimentos de “emancipação”, “libertação”, “pela democracia”, “contra as desigualdades”, são os sujeitos mais seletivos e intolerantes. O que se constitui em evidente paradoxo, pois não unem discurso a pratica.

Vale à pena ressaltar que, num país com dezenas de partidos, a ideologia de cada um deles em muito se assemelha, onde deveria haver pluralidade, existe a conveniência. Onde o debate, a doutrinação. O brasileiro médio, acostumado a repetir os bordões da sua coletividade, ainda vai demorar um pouco a desenvolver senso crítico capaz de escolher por si. Enquanto isso, continuará lendo o folhetim do seu grupo de preferência e dizendo sim a todas as incoerências pregadas em nome do bem de uma surreal coletividade.

 

 

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