13/11/2018

Escravidão: esqueceram quem te aboliu!

No próximo domingo, comemora-se mais um aniversário da abolição da escravatura no Brasil.  Aos 13 de Maio de[…]

No próximo domingo, comemora-se mais um aniversário da abolição da escravatura no Brasil.  Aos 13 de Maio de 1888, a maioria do Senado Imperial aprova a lei que decreta a liberdade dos cativos, a qual foi  sancionada pela Princesa Isabel.

Alguns crêem erroneamente que o evento da abolição poderia ter sido antecipad0, com apenas uma “canetada” do Imperador. Contudo, a história nos informa que, para se chegar a esta data, foi necessário um longo período de conversas, tentativas de persuasão dos donos de escravos, debates políticos entre as alas que queriam a abolição e as que queriam a continuidade do escravismo. O argumento para a continuidade era óbvio: “escravos eram propriedade de seus senhores”, que se utilizavam dessa mão de obra na execução das tarefas domésticas e imprescindível na lida das fazendas. Neste aspecto, a Família Imperial desempenhou importante papel. Dom Pedro II sempre foi grande entusiasta da liberdade plena de todos os cidadãos brasileiros, independente de sua cor ou origem. Um de seus primeiros atos quando da sua maioridade, foi o de dar forro a todos os seus escravos, os que ficaram consigo, porém, o ficaram como assalariados. Contraiu inclusive,  na mesma época, dívida de 60 contos de réis onde, anonimamente comprou um lote de escravos, libertando-os e empregando-os na Quinta de Santa Cruz, dando auxílio médico e instrução escolar aos filhos dos mesmos.

O historiador pode possuir lados, mas a História, não. Menciona-se muito pouco na mídia, por exemplo, a participação de intelectuais negros, inclusive amigos da família Imperial como o abolicionista José do Patrocínio. O próprio Luiz Gama, que impedido de tornar-se aluno da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco em São Paulo, conseguiu assistir as aulas como ouvinte e com o conhecimento adquirido, obteve a liberdade de mais de 500 escravos. Nem precisa mencionar: é sumariamente esquecido nesta data.

Apesar disso, em Teresina, por exemplo, (cidade que leva o  nome da mãe de Princesa Isabel) não se é sabido de nenhuma manifestação, neste período, que se tenha homenageado a Família Imperial Brasileira em sua luta pela abolição, ou qualquer outro dos verdadeiros abolicionistas. Pelo contrário, existe uma entidade  que leva o nome de Zumbi dos Palmares e que, supostamente, defende direitos e cultura de nossos patrícios negros. Chega a ser um paradoxo, o indivíduo que escravizou e tratou de forma truculenta seus próprios escravos, tratado como expoente da liberdade. Isso não é privilégio de Teresina, pois Zumbi tornou-se símbolo nacional do movimento negro. Alguns chegam inclusive a mencionar o papel de Ernesto Guevara na emancipação dos negros. Pelo contrário, Guevara tinha certa ojeriza pelos negros e hoje é reverenciado como herói.

Durante toda sua trajetória, o próprio Dom Pedro II esmerou-se pela liberdade dos cativos e arriscando perder o trono, como de fato ocorreu posteriormente,  galgou mais e mais passos rumo ao sonho de ver todos os seus súditos livres, independentes de sua cor. Vale à pena recordar que tiveram todo apoio da Família Imperial os projetos de Lei do Sexagenário, Lei do Ventre Livre e coroando este projeto, a Lei Áurea. Eventos que os líderes republicanos fizeram questão de riscar dos livros e da memória do povo brasileiro. O que dizer então? Escravatura: esqueceram quem te aboliu!

 

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