13/11/2018

O Julgamento das Nações

Obra do historiador Christopher Dawson, escrita durante a Segunda Guerra Mundial, que busca apontar as razões que levaram o Ocidente ao colapso e como resolver a situação

Em O Julgamento das Nações, Christopher Dawson discute o problema da secularização do ocidente, que culminou, segundo ele, em regimes políticos totalitários numa Europa descaracterizada de sua cultura milenar: a cultura cristã. Dawson foi um historiador de destaque nos seus dias, admirado pela lucidez e pela forma como interpretou a história do Ocidente. Ele formou-se no Trinity College, Oxford, e lecionou na Universidade de Exeter.

Em sua carreira como historiador, procurou sempre interpretar o mundo a partir de uma hermenêutica cristã, isto é, analisando os eventos mundiais a partir de uma perspectiva cristã. Dawson escreveu O Julgamento das Nações em 1942, quando a Segunda Guerra Mundial já estava acontecendo, o poder do nazismo avançava sob a mão de Hitler, na Alemanha, e a Rússia já vivia um regime totalitário comunista com Stalin.

Neste livro, Dawson procurou estabelecer um elo entre o fracasso do Ocidente, especialmente da Europa, e o abandono quase que total da religião cristã, ou da cultura cristã. Para Dawson, a civilização europeia foi forjada pela religião cristã, primeiro pela igreja católica, e secundariamente pelo protestantismo. A Europa, que tinha uma alta espiritualidade, paulatinamente foi sendo secularizada, e aderiu ao puro racionalismo. O autor compreendeu que a espiritualidade cristã foi trocada pela secularização e pela maquinaria tecnológica, que geraram os males que a Europa estava enfrentando.

O livro está dividido em duas partes: (1) A desintegração da civilização Ocidental; (2) A restauração de uma ordem cristã. Na primeira parte, Dawson faz um levantamento da Europa e da ascensão dos regimes totalitários. O autor também demonstra que a Liga das Nações, organismo internacional que prometia a paz mundial, foi um grande fracasso, e com ele, fica estampado também o fracasso da democracia e o surgimento da Guerra Total.

Na segunda parte do livro Dawson aponta o caminho de volta que a Europa precisa trilhar, esse caminho é um retorno às raízes espirituais da fé cristã. Engana-se que pensa que o livro é uma obra evangelística, ou um livro eclesiástico ou uma História da Igreja. Não é. O autor faz uma análise histórica profunda do Ocidente e provou que a cultura ocidental foi moldada pela fé cristã, e isso pode ser visto facilmente pelo desenvolvimento das instituições, das leis, da educação, e de muitos outros aspectos importantes, que são basilares numa civilização.

O livro mostra que o pensamento de Christopher Dawson foi influenciado pelo teólogo Agostinho, especialmente em sua obra A Cidade de Deus e a Cidade dos Homens; nas expressões da Igreja Católica, especialmente em encíclicas papais, cujos fragmentos são citados diretamente em alguns trechos do livro; e por Edmund Burke, conservador francês.

A análise de Dawson é importante, especialmente porque o livro foi escrito há mais de 70 anos, e muitas das advertências do autor podem, agora, ser observadas. A secularização europeia aumentou ainda mais, e já se alastra velozmente pelos Estados Unidos (pelo menos antes de Trump o ritmo era acelerado). À semelhança da Liga das Nações, a ONU se mostra um fracasso para a paz mundial, isso se comprova pelo avanço das guerras pelo mundo. E pior ainda, a ONU é um dos mecanismos responsáveis diretamente pela secularização das nações e pela extinção da cultura cristã no planeta. As respostas de Dawson para a salvação da Europa continuam válidas em nosso tempo, só que agora não apenas a Europa, mas o mundo está em risco de um colapso.

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