08/12/2019

Fim da polêmica! A Freguesia de Santo Antônio do Surubim foi criada em 1740

Fim da polêmica! Finalmente a data da criação da Freguesia de Santo Antônio do Surubim (Campo Maior) foi encontrada. E ela é bem mais recente do que o que se imaginava.

Igreja de Santo Antonio (segundo templo): sede da freguesia, criada em 1740

Uma das mais antigas e misteriosas lacunas sobre a história de Campo Maior foi resolvida: a data da criação da Freguesia de Santo Antônio do Surubim. Nas últimas décadas essa foi uma das maiores buscas dos historiadores do Piauí. Jamais se tinha chegado à conclusão sobre a data correta da criação da Freguesia de Santo Antônio do Surubim de Campo Maior. Sabia-se sobre as demais freguesias piauienses, mas a de Campo Maior era um mistério.

Na manhã de ontem, enquanto conversava com o professor Fonseca Neto, chefe do Departamento de História da Universidade Federal do Piauí, discutíamos sobre a história de Campo Maior e o papel da igreja nos primeiros momentos de vida daquela povoação. Ao discutirmos sobre a data da criação da freguesia, o professor analisou os argumentos do padre Cláudio Melo, bem como minha própria posição, no livro Campo Maior Origens.

As datas para a criação da Freguesia de Santo Antônio do Surubim sempre eram remotas. Padre Cláudio assegurava sua existência em meados de 1711, quando a igreja de Santo Antônio foi instalada em Campo Maior. Ele também defendia a possibilidade da freguesia ter sido criada na primeira visita às terras dos Alongases, quando o padre Miguel de Carvalho percorreu o território do norte. Mesmo sem igreja, ele pensava que naquela ocasião poderia ter acontecido a criação da Freguesia do Surubim, de Santo Antônio. Faltava a prova final para sustentar a hipótese, que, aliás, fazia muito sentido. A primeira documentação que registra a expressão “Freguesia de Santo Antônio do Surubim” encontra-se numa correspondência onde o nome de Manoel de Carvalho é citado como um morador da dita freguesia. Essa data me fez acreditar que a data mais confiável que tínhamos, até o momento, seria o ano de 1713, ou mesmo um ou dois anos antes. Essa foi minha posição sobre a origem da Freguesia de Santo Antônio.

Eu escrevi em Campo Maior origens: “A freguesia de Santo Antônio do Surubim foi instalada entre os anos de 1711 a 1713. Prova disso são as referências em correspondências dessa época apontando algumas pessoas que moravam na dita freguesia em 1713”. O raciocínio era simples: se havia menção na existência dessa freguesia em 1713, era sensato entender que ela foi criada nesse mesmo ano ou em data anterior, o que me levava a recuar a data proposta pelo padre Cláudio Melo, na ocasião da construção da igreja de Santo Antônio. Por isso a indecisão entre os anos de 1711 a 1713. Não tinha dúvidas de que sua criação se dera dentro desse espaço cronológico.

– PROF. FONSECA NETO CONCLUIU QUE A FREGUESIA DE SANTO ANTÔNIO DO SURUBIM EM CAMPO MAIOR FOI CRIADA EM 1740.

Nas pesquisas do professor Fonseca Neto, trabalho de grande envergadura sobre o bispado piauiense, ele encontrou um documento de Dom Manuel, bispo do Maranhão, onde ele comunica ao rei de Portugal a criação da freguesia de Santo Antônio do Surubim. A profundidade das pesquisas sobre o bispado do Piauí, o levou a inquietação quanto à origem da Freguesia do Surubim, que consistia em grande mistério. Conforme a carta do bispo do Maranhão, Dom Manuel da Cruz, a freguesia foi criada em 1740. A carta é datada de 1741:

“SENHOR. FOI VOSSA MAJESTADE SERVIDO POR RESOLUÇÃO EXPEDIDA DA MESA DA CONSCIÊNCIA E ORDEM EM 20 DE MAIO DE 1740 CRIAR DE NOVO NA FREGUESIA DA VILA DA MOCHA MAIS DUAS FREGUESIAS COM PÁROCOS COLADOS, UMA NA RIBEIRA DA GURGUÉIA, E OUTRA NO DISTRITO DA CAATINGUINHA; COMO TAMBÉM FOI SERVIDO CRIAR, E ERIGIR MAIS EM NOVAS VIGARIAS COLADAS OS CURATOS DAS IGREJAS DE SANTA MARIA DA VILA DO ICATU, NOSSA SENHORA DO CARMO DO PIRACURUCA, SANTO ANTÔNIO DO SURUBIM…”

Na carta do bispo, ele indica que em 20 de maio de 1740, foi expedido criar na freguesia do Mocha (Oeiras) mais duas novas freguesias, e em seguida menciona que erigiu “mais” freguesias em novas vigarias, incluindo aí a menção de Santo Antônio do Surubim. Conforme Fonseca Neto essa é a data da criação da Freguesia de Santo Antônio do Surubim.

Sobre as correspondências e a presença desse bispo do Maranhão na região do Surubim, faço menção em Campo Maior Origens (p. 41), demonstrando que a partir daquele momento as delimitações da freguesia de Santo Antônio do Surubim de Campo Maior estava mais bem estabelecida, e, apontando que havia uma disputa entre o bispado do Maranhão e o de Pernambuco, nas delimitações territoriais. Foi o professor Fonseca Neto que me fez compreender que a visita do bispo, além do fato que eu descrevi, serviu também para criar a freguesia do Surubim, por isso essa delimitação tão precisa.

Enquanto eu discutia com o professor Fonseca Neto sobre essa carta e essa data de 1740, sobre as delimitações territoriais, perguntei-lhe sobre a menção das datas mais remotas, como a de 1713, já mencionando a existência da freguesia de Santo Antônio do Surubim. Essa data, segundo Fonseca Neto, deve ser vista como um momento em que a freguesia existia na informalidade, pois ainda não tinha sido literalmente ou oficialmente criada pela igreja. Já era uma freguesia porque já havia a igreja instalada, o cura já oficiava regularmente, e os “fregueses” já estavam lá, mas tratava-se de uma freguesia futura ou freguesia não oficial, mas que já era conhecida assim por causa da igreja e da certeza de que seria criada. A menção a freguesia de Santo Antônio em 1713 não significa que ela já existisse por criação de um bispado. A data exata, concreta, é mesmo o ano de 1740, conforme a carta com as informações da sua criação, em destinada ao rei no ano seguinte, 1741.

Uma cronologia dos estudos sobre a Freguesia de Santo Antônio do Surubim de Campo Maior pode ser compreendida da seguinte forma:

1697 – O padre Miguel de Carvalho visita a região norte para conhecer os termos da freguesia do Mocha. Por ser de enorme extensão (todo o território do Piauí), entende que uma nova freguesia precisa ser criada.

1711 – Outro padre, Tomé de Carvalho, visita a mesma região e, com ordens do bispo de Pernambuco, constrói a igreja de Santo Antônio em Campo Maior. Essa foi a primeira data a se cogitar a criação da freguesia de Santo Antônio.

1713 – Em uma carta encontramos a menção de pessoas que moravam na freguesia de Santo Antônio do Surubim. Essa foi a outra data pensada para a criação da freguesia, já que ela já é mencionada.

1715 – O bispo de Campo Maior encontrou no anuário católico o ano de 1715.

1740 – Data em que, segundo consta na correspondência do bispo do Maranhão, Dom Manuel da Cruz, a freguesia foi concretamente criada e o fato comunicado ao rei de Portugal em 1741.

O papel do historiador vai além de narrar os fatos

Quando o historiador se depara com as fontes, ele precisa ter a perícia não apenas de ler o manuscrito antigo, mas de entender o manuscrito e o mundo em que sua fonte foi produzida. As tensões políticas e os interesses por trás das pessoas que estão relacionadas ao documento que está sendo analisado.

Um dos medievalistas que mais admiro é o historiador francês Jacques Le Goff. Para quem se dedica ao estudo da Idade Média, dentre os muitos acadêmicos de renome, o nome de Le Goff é indispensável. Talvez seja dele o maior e o mais importante legado historiográfico nessa área de estudos históricos. Boa parte da grande produção de Le Goff está traduzido para o nosso idioma, e como admirador do seu trabalho, adquiri alguns títulos.  atualmente estou lendo um livro escrito em formato de entrevista biográfica: Uma Vida Para a História: conversações com Marc Heurgon (UNESP, 2007).

Le Goff destaca algumas observações importantes para o historiador sério. Obviamente, há diferenças colossais entre o professor de história e o historiador. Basicamente, o historiador produz pesquisas e o professor utiliza as pesquisas do historiador em sala de aula, no ensino dos seus alunos. Como pesquisador, destaquei uma colocação curta, mas muito importante de Jacques Le Goff. Ele lembra do seu professor no Liceu de Toulon, Henri Michel, que lhe ensinou um dos papéis fundamentais da história:

“Ensinou-me que a história, mais do que relatar, deveria explicar” (p. 37).

Essa citação chamou minha atenção. É papel do historiador explicar a história, e não somente narrar  acontecimentos. O papel de narrar fatos cabe mais ao jornalismo, que não precisa se posicionar (para isso há o jornalismo opinativo). Porém, ao historiador cabe a tarefa de explicar os acontecimentos e porque aconteceram. O historiador deve ter a abilidade de entender mais profundamente as questões e os multiplos acontecimentos que culminaram em outros tantos.

Por isso, quando o historiador se depara com as fontes, ele precisa ter a perícia não apenas de ler o manuscrito antigo, mas de entender o manuscrito e o mundo em que sua fonte foi produzida. As tensões políticas e os interesses por trás das pessoas que estão relacionadas ao documento que está sendo analisado. Não é uma tarefa tão simples. Conseguir a fonte é o primeiro passo da pesquisa, o que torna a pesquisa viável. As técnicas empregadas para a análise são outra parte importante do trabalho, porque o historiador não precisa apenas ler a fonte, ele precisa entender a fonte e julgar a autenticidade da fonte: se o que ela descreve é realmente o que aconteceu.

O material secundário que o historiador utiliza é a bibliografia, ou o que já foi produzido por outros historiadores sobre a temática que está sendo estudada. O que outras pesquisas dizem sobre o assunto? Dessa forma, as obras analisadas pelo historiador devem ser investigadas com a mesma cautela que as fontes primárias. A mesma fonte pode levar um determinado historiador chegar a conclusões diferentes de outro.

Somente depois de tomados todos estes cuidados (e outros!), o historiador poderá começar a dar a sua explicação da história. Dessa forma, ele pode começar a contar a história e não apenas narrar acontecimentos. A importância do historiador é primaz para a sociedade, qualquer que seja a sociedade, para que se conheça a própria história. falando de outra forma, toda sociedade precisa de bons historiadores, capazes de estudar seu passado e conhecer as implicações de suas decisões e entender como e porque chegaram onde chegaram.

A África foi um dos mais importantes centros de escravismo branco, mas não foi o único

No melhor dos cenários, não menos do que 1,2 milhões de europeus foram escravizados num período mais recente que envolve um universo de 300 anos (1500 a 1800). Mulheres brancas eram escravizadas e levadas aos haréns de senhores negros.

Brancos e negros foram escravizados

Recentemente eu li um texto bem interessante que expunha sobre a escravidão branca que aconteceu no norte da África. O fato é historicamente inegável, mas pouco difundido. Nós fomos condicionados, especialmente por conta da recente escravidão de negros originários da África, que toda espécie de escravidão tem a cor negra, e assim, criou-se a ideia equivocada e preconceituosa, de que escravismo está diretamente ligado, e tão somente ligado, à opressão do branco contra o negro.

Esse fenômeno é maior ainda por um motivo: o recente tempo em que a escravidão negra aconteceu no ocidente, especialmente nos Estados Unidos e aqui no Brasil. Não há fotografias ou imagens da escravidão branca que aconteceu no lado oriental do mundo, e nem no lado ocidental, pois essa etapa se deu anterior à escravidão negra. O que há do período da escravidão branca são pinturas e textos antigos, que inegavelmente retratam esse momento.

Esse tipo de narrativa explodiu com a infame manifestação da luta pelos direitos das minorias, no caso específico aqui, o direito dos negros. Grupos que apoiam esse tipo de movimento de reparação, em sua gênesi, tem origem, influência ou ligações com os ideais da luta de classe e as propostas difundidas mundialmente pelo marxismo. A lógica é a seguinte: como os negros foram oprimidos e escravizados por anos pelos brancos, não tendo condições sociais de competir com a classe branca devido aos anos de escravidão injusta, faz-se necessário, agora, uma reparação.

Essa reparação, claro, é concedida com a intromissão do governo, que deve legislar em favor da criação de leis que reparem esse erro do passado, concedendo cotas nas universidades para negros, concedendo territórios (propriedade privada) para os chamados quilombolas, concedendo indenizações e leis de proteção especiais para negros. Assim, o governo favorece uma parcela da sociedade enquanto desfavorece a maioria da população, o que é injusto.

Mas por outro lado, é notório que o inverso não é aceito e nem mesmo cogitado. O que se sabe quanto à escravidão, num contexto de âmbito mundial, é que ela sempre foi uma constante entre povos de todo o planeta. Não era o aspecto da cor da pele que definia quem seria o escravizado, pois é fato que tribos africanas escravizavam homens e mulheres brancas. Tribos africanas também escravizaram negros de outras tribos, e faziam dessas pessoas (negros) seus escravos.

Milhões de europeus brancos foram escravizados por negros, tanto da África, como de países orientais de predominância muçulmana, os mouros, como eram denominados. Brancos também fizeram de outros brancos seus escravos, assim como também escravizaram negros. Na antiga Roma, por exemplo, a população de escravos beirava 1 milhão de pessoas no primeiro século a.D. Esses escravos eram constituídos de povos das mais diversas etnias, mas a maioria eram de brancos e a minoria era formada por negros.

O mercado de Argel, na África, retrata o comércio de escravos brancos em pinturas. No melhor dos cenários, não menos do que 1,2 milhões de europeus foram escravizados num período mais recente que envolve um universo de 300 anos (1500 a 1800). Mulheres brancas eram escravizadas e levadas aos haréns de senhores negros. Haviam ataques marítimos de barcos africanos, comandados por senhores negros, contra embarcações da Europa. Era uma caçada de negros contra brancos, que acabavam sendo capturados e tornados seus escravos.

Negros foram senhores de escravos tanto quanto o foram homens brancos. Agora, como o mundo vai reparar o direito de milhões de brancos que foram escravizados no passado? Concedendo-lhes cotas? É preciso definir-se escravidão como um sistema cruel e brutal, mas que fazia parte de uma cosmovisão que dominava todos os povos da terra. Pessoas eram escravizadas. Pessoas, e não apenas negros ou brancos. Essa luta é muito mais ideológica atualmente do que humanitária. É a velha luta de classe  revivida, a velha ideia do oprimido e do opressor. Do proletariado e do burguês. Luta de classe é um conceito marxista revolucionário que busca dividir o mundo em dois lados.

Questões conservadoras: histórico do Hino de Campo Maior

Hoje debate-se, na mesma Câmara, a remoção do hino de Campo Maior e a revogação da lei que o instituiu. As pessoas que estão promovendo a proposta esquecem dos malefícios que a exclusão de um símbolo cívico pode provocar numa cidade. Um hino é uma identidade, é como um nome pessoal.

A história do hino de Campo Maior tem cerca de meio século. Foi nos idos da década de sessenta que ele surgiu, não como hino inicialmente, mas como uma música que foi cantada por algumas crianças numa escola de Campo Maior, enquanto se realizavam apresentações artísticas. Naquela época, crianças ainda eram ensinadas a respeitar os símbolos patrióticos, como a bandeira do Brasil. Um espírito conservador estava presente.

As professoras Valmira Napoleão e Maria Alves Pontes parodiaram uma música que ouviram num circo, que se apresentava em Campo Maior naquele período. Os circos, assim como acontece hoje, seguiam em caravana e apresentavam espetáculo em várias cidades. Esse circo fazia um tour pelo nordeste e estava naquele momento em Campo Maior. Durante o espetáculo uma música era cantada (Cidade Morena), e o nome da cidade de Campo Grande era substituía pelo nome de Campo Maior em dado momento na letra, numa forma de agradecer e de conquistar a público campomaiorense presente.

As duas professoras decidiram, numa apresentação escolar, apresentar a música, mas com alterações na letra original, incorporando temas relacionados a Campo Maior, como a Batalha do Jenipapo e temas da geografia e economia campomaiorense, além de destacar os aspectos da beleza inconfundível de Campo Maior. A apresentação foi um grande sucesso e a música foi muito bem recebida, sendo posteriormente cantada em outras escolas, que solicitaram a mesma apresentação. Onde as crianças se apresentavam, eram ovacionadas e a música começou a ser entronizada na identidade do campomaiorense, especialmente dos estudantes e das professoras, nesse primeiro momento. Campo Maior não tinha hino até então.

Comentava-se muito na cidade essa linda música que homenageava Campo Maior e retratava tão bem seus valores. Os primeiros anos se passaram, mas a música não foi esquecida. Nas apresentações do poder público municipal e da Polícia Militar, nenhum hino era entoado, pois não existia o “hino de Campo Maior”, a única manifestação que existia era a música das duas professoras. O Capitão Geraldo de Sousa Câncio, na época o comandante da Polícia, começou a cantar a música em cerimônias militares e cívicas em que participava, pois a música cobria a ausência de um hino. O capitão começou a dizer que essa música deveria se tornar o hino de Campo Maior. Mais tarde, em cerimonias oficiais do município, a música começou a ser cantada, apenas de forma artística, pois era uma apologia à Campo Maior, seus heróis e sua terra. A esse tempo, onde quer que a música fosse ouvida, era cantada por muitos presentes. A música e a letra estavam gravadas na memória e as pessoas criaram forte laço de identidade com a canção. Mas, até aqui, Campo Maior permanecia sem um hino oficial.

Em 1983, com a música sendo cantada em todas as ocasiões próprias, celebrações e datas especiais, em escolas de toda a rede municipal de educação, a Câmara Municipal do município decidiu acatar o que já era comum e aceito por todos, e a música torna-se o hino oficial da cidade de Campo Maior, conforme a Lei Municipal Nº 004/83, de 23 de agosto de 1983.

O hino de Campo Maior não foi imposto de cima para baixo, como se a Câmara dos Vereadores, a revelia dos munícipes, tivesse ditado essa lei. O processo foi justamente o oposto disso: os campomaiorenses escolheram essa música e cantaram por pelo menos duas décadas (ou perto disso) essa música, antes que ela se tornasse, por vontade popular, o hino de Campo Maior. As professoras Valmira Napoleão e Maria Alves Pontes nunca tiveram a pretensão de tornar essa música o hino de Campo Maior, como vimos. Foi justamente essa força patriótica que a música carregava em sua letra que promoveu nos corações dos campomaiorenses esse sentimento de pertencimento e de identificação. O tempo tratou de forjar nos corações essa canção, que foi levada por vontade popular irresistível, até chegar a Câmara, onde a lei é criada e o prefeito, naquele momento, César Ribeiro Melo, sancionou a lei.

Hoje debate-se, na mesma Câmara, a remoção do hino de Campo Maior e a revogação da lei que o instituiu. As pessoas que estão promovendo a proposta esquecem dos malefícios que a exclusão de um símbolo cívico pode provocar numa cidade. Um hino é uma identidade, é como um nome pessoal. Quando alguém chama o nome de outro, a resposta imediata é olhar em direção à pessoa que chama, pois sua identidade foi provocada. Quando o hino de Campo Maior é cantado na cidade, os campomaiorenses se identificam imediatamente com ele. Quando miramos a nossa bandeira ou o nosso brasão municipal, nos identificamos também, mas os laços de identidade são ainda maiores com o hino, por se tratar de música e promover mais emoção. retirar o hino de Campo Maior significa não respeitar a identidade e os símbolos adotados pelo povo.

Para encerrar esse texto, acrescento que é perceptível os malefícios que uma educação não patriótica e o reducionismo dos símbolos patrióticos podem causar em uma sociedade. A falta de patriotismo, de zelo pelas tradições, e um espírito não conservador podem promover mudanças radicais e danosas a toda uma sociedade. A Câmara de Campo Maior terá que ter um espírito muito patriótico para enfrentar todos os desafios que lhe estão sendo impostos nesse tempo.