20/11/2019

Historiadores e músicos campomaiorenses se reuniram para discutir a permanência do hino de Campo Maior

A proposta de anular o hino de Campo Maior surgiu ha poucos anos e agora está sendo, mais uma vez, discutida na Câmara dos Vereadores.

Ontem a Câmara Municipal de Campo Maior realizou a aguardada audiência pública que tratou sobre denuncia de irregularidades do hino de Campo Maior. A casa estava basicamente vazia, com poucas pessoas acompanhando as discussões, e com a presença de metade dos vereadores que compõem a Câmara. Presentes: Neto Corredores, que foi o requerente da audiência pública, Sílvia do Caú, Daniel Alves, Hamilton Segundo, Gabriela Pinho e o presidente da casa, Fernando Miranda, que conduziu os trabalhos.

As discussões aconteceram com o atraso de quase uma hora, e foram levadas adiante pelos professores Marcus Paixão, Celson Chaves, Assis Lima, presidente da AUTEC, Franco Neto e Augusto Pereira, os professores e músicos Lécio Johnes e Flávio Roberto. Também presente nas atividades o ex-prefeito Cézar Melo, que assinou a lei sancionando o hino, em 1983, e o historiador e presidente da ACALE, João Alves Filho.  A OAB foi representada pelo seu presidente Wilson Spíndola.

O historiador Celson Chaves, um dos proponentes na mudança do hino, ressaltou: “fica claro o plágio do nosso hino. Não queremos de forma alguma desqualificar as autoras, mas queremos sim, que a originalidade seja peça fundamental no hino de nossa cidade. Por isso, defendemos um concurso público para a escolha de um novo hino e a imediata revogação da lei que instituiu o atual. Queremos e precisamos de originalidade para poder de fato honrar o patriotismo de nossa terra”, mas o presidente da OAB, disse que é cedo para se falar em plágio sem um laudo técnico especializado, e considerou que o direito prever o costume como uma marca que pode assegurar o hino atual. Spíndola também disse que a OAB irá examinar a questão.

O historiador Marcus Paixão foi o primeiro a questionar a ideia de demover o hino de Campo Maior, lembrando ele que a identidade do campomaiorense está firmada em seus símbolos cívicos, e o hino de Campo Maior é um desses símbolos. Ele alertou a Cãmara sobre os perigos de se tomar uma atitude drástica, lembrando que o hino pode sofrer simples alterações ou os direitos autorais da música podem ser comprados, caso sejam reclamados pelos proprietários, sem que se precise mudar o hino:  “se o problema for o plágio da música, que se compre os direitos autorais. Seria no mínimo inusitado mudar algo que já faz parte dos valores da comunidade há meio século e que já está consolidado na nossa sociedade. Esse hino surgiu na década de 60, quando as autoras fizeram uma paródia para ser apresentada em determinada escola. Pela beleza, a letra chamou atenção e anos mais tarde, com a aprovação popular, tornou-se hino oficial de Campo Maior, reconhecido pela Câmara”, disse o historiador, que voltou à tribuna e disse que o hino brasileiro também é acusado de plágio, e igualmente os hinos nacionais de vários outros países.

João Alves Filho, presidente da ACALE, foi enfático em rejeitar a criação de um novo hino, mas o presidente da AUTEC, Assis Lima, tem posição diferente. Os dois presidentes das academias de letras da cidade seguem divididos.

O autor do requerimento, vereador Neto dos Corredores, em sua fala explicou porque decidiu requerer a audiência. “É algo que despertou o interesse e a curiosidade da população, e nós, como vereadores, temos a obrigação de chamar essa responsabilidade para essa casa e encontrar uma solução. O povo está participando do debate e essa, foi a forma mais democrática que achamos para discutir essa problemática”, comentou ele.

Hoje pela manhã, em entrevista a uma rádio local, o Deputado Estadual Antônio Félix pronunciou-se a favor da permanência do hino de Campo Maior, considerando desnecessária a mudança do hino de Campo Maior. O deputado fez menção ao grande tempo em que o hino vem sendo entoado pelos campomaiorenses.

 

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