13/11/2018

Um homem determinado a mudar a história do açude de Campo Maior

No ano de 2015, a Prefeitura de Campo Maior iniciou aquele que foi considerado o maior de todos[…]

No ano de 2015, a Prefeitura de Campo Maior iniciou aquele que foi considerado o maior de todos os seus projetos: a revitalização do açude grande de Campo Maior. Inicialmente a população não acreditou que o projeto fosse realmente acontecer. O superintendente de obras da Prefeitura de Campo Maior, Dibes Ibiapina, ficou encarregado de fiscalizar os trabalhos e não deixar a obra parar. O Portal Livre entrevistou Dibes Ibiapina

Como você recebeu a notícia de que o açude grande seria revitalizado e você seria um dos principais responsáveis pela execução desse projeto?

Em primeiro lugar eu queria agradecer o prefeito Ribinha por me fazer esse convite e pela coragem de continuar essa belíssima obra em Campo Maior. Olha, primeiro eu achei que meu trabalho seria diferente. Não sabia que seria tanta responsabilidade. Quando estamos trabalhando na orla do açude, as pessoas que caminham por ali ficam admirando o trabalho da gente, e pedindo para nós cuidarmos bem do açude. Uma vez uma senhora parou e começou a brigar comigo porque eu estava jogando umas pás de piçarra na encosta da parede. Ela perguntou se eu era doido, e disse que o açude era a coisa mais bonita de Campo Maior. Pediu que eu parasse de entupir o açude. Durante esses dois anos, muita gente falava coisas assim, que amava o açude e pra gente trabalhar direito. Se eu soubesse que a responsabilidade era tão grande e que o açude era tão amado, não sei se eu teria aceitado esse desafio.

Qual etapa do trabalho você considera a mais difícil nesses dois anos de trabalhos no açude?

Olha, não teve parte fácil. Mas eu acho que o começo foi mais difícil porque o prefeito teve que secar todo o açude para que as máquinas pudessem trabalhar. Aquela etapa foi muito difícil pra mim, porque as pessoas criticavam muito a gente. Eu mesmo perguntei ao Paulo Martins (ex-prefeito) se não dava pra fazer diferente, sem secar o açude. Mas ele disse que o projeto tinha que ser executado como estava no papel.

Essa parte do projeto foi realizada pelas bombas, que drenavam uma parte da água do açude para a lagoa. Porque o senhor achou essa etapa difícil?

Não, veja bem. Secar o açude através das bombas não foi difícil. O difícil mesmo foi ter que ouvir as pessoas criticando esse trabalho, achando que o açude nunca mais ia encher. As pessoas diziam que o prefeito estava matando o açude de Campo Maior. Tinha rádio e portal de notícia que passava o dia detonando as obras e estimulando as pessoas contra a gente. Quando as pessoas passavam por mim, na beira do açude, ficavam jogando piada, chamando a gente de ignorante, burro. Outros diziam que era por causa da eleição. Eu ouvi todo tipo de coisa no começo. Na internet a coisa pegava fogo mesmo. As vezes eu nem olhava meu Facebook. Quando os tratores entraram dentro do açude, no ano seguinte, aí a coisa piorou, porque os adversários do prefeito não queriam ver essa obra feita. Fizeram de tudo para parar os trabalhos. Inventaram um monte de mentira, disseram que a laje do açude tinha rachado, que ele nunca mais ia segurar água. Nesse tempo até uma pedrada eu peguei (risos). No começo muita pessoas andaram falando, mas agora, graças a Deus, ta todo mundo vendo que a obra era importante para Campo Maior.

E a sua equipe? É verdade que você os chama de “meus filhos”?

Eu quero destacar aqui o nome do Mororó, que foi outro guerreiro nesse trabalho. O Mororó todo mundo já sabe como é, ele não manda fazer, ele mesmo faz. Então, o Mororó me ajudou muito e me ensinou muito. Agora a equipe, aqueles que eu fico no pé, para a produção não diminuir, esses é que eu chamo de “meus filhos”. E eles são meus filhos mesmo, porque eu procuro cuidar deles como posso. O trabalho aqui é duro meu amigo, e eles não esmorecem pro serviço não. Alguns só começaram e logo não aguentaram, saíram. Outros eu dispensei porque me davam muito trabalho. Trabalhar com gente não é fácil. Nós enfrentamos aqui chuva, sol, mas com muita dedicação pra ver essa história bonita em Campo Maior.

Dibes, algumas vezes você chegou a trabalhar até durante a noite…

Pois é, eu trabalhei mesmo. Isso foi já depois. Eu me apeguei a essa obra. Eu queria cumprir as metas e começar logo a outra etapa. Uma vez o prefeito Ribinha passou e me viu com uma enxada na mão. Ele parou o carro e eu pensei: o prefeito agora vai me promover. Humm… ele mandou eu ir embora na mesma hora e ainda me deu uma bronca. Mas era porque eu queria mesmo era terminar. O pessoal todo ia embora e eu ficava por ali, olhando, ajeitando uma coisa.

E essas lages decorativas? São muito bonitas, mas trabalhar com elas não parece coisa fácil. Como foi construir essa passarela?

O trabalho da passarela não está totalmente concluído. Falta a parte elevada, que nós vamos fazer agora. Mas trabalhar com as lages foi difícil. Tudo no começo é difícil, né? Esse tipo de material, somente aqui em Campo Maior é que tem. Com essa lage desse tamanho, essas pedra enorme, que dá um design bonita para a nossa cidade. Se não tivesse máquina, não dava pra colocar essas pedras nem com dez homens. Olha aqui o tamanho e a grossura dessas lages (ele aponta para uma lage). Não tinha condições sem máquina. Nós colocamos quase 3.300 pedras. No começo era 15 metros por dia, depois passamos pra 30, depois 50. No final ta dando pra colocar 90 lages. O negócio é que tinha que fazer o preparo para as lages, e isso demorava mais.

Ontem (16/05) você disse que a obra estava concluída. Parece que você estava emocionado. O que você sentiu ao ver o passeio finalizado, depois de dois anos de trabalho?

Olha, é uma alegria muito grande. No início, quando chegou o material, todo mundo achava que jamais a gente era capaz de fazer uma coisa tão bonita como essa aqui. Muitas pessoas criticavam, tive que aguentar calado, pensando ‘daqui uns dias eles vão aplaudir’. Eu dizia: ‘não se preocupem não, deixe eles falarem e dizerem o que quiserem. Tiravam foto… a chuva vinha, destruía um pouquinho do aterro, a gente ajeitava no outro dia. As pessoas que não querem o bem nunca vão ver que tem gente que quer o bem da cidade. Hoje você passa e ver esse passeio concluído. Eu me emocionei mesmo. Quando nós assentamos a última pedra, que eu olhei pra todo lado e vi que estava feiro… tu é doido… (silêncio. Dibes baixa a cabeça). Eu vou falar um dia para os meus netos, caminhando aqui em cima: ‘foi o vovô que fez isso aqui’!

E o prefeito? Ele pega muito no seu pé?

O prefeito Ribinha quase todo dia passa aqui. Ele já passou por aqui hoje. E ele cobra serviço chefe. Ele é muito entusiasmado com essa obra, tanto ele quanto o Paulo Martins, que começou o trabalho. O Paulo, depois da eleição, continuou o trabalho no outro dia. O Ribinha, no segundo dia de mandato já me ligou, perguntando se eu já estava no açude. Eu disse: ‘Já sim prefeito’ (risos). E tem outra coisa, se não ficar bom ele manda fazer de novo. Depois que ele entrou, nós já mudamos algumas lages porque ele não gostou do acabamento. Hoje, quando ele andou aqui, pediu para nós capricharmos nesse acabamento perto do muro do Iate clube.

Você pratica exercício físico Dibes?

Sim, eu faço exercício aqui na quadra de areia três vezes na semana. Também faço a caminhada aqui pela orla do açude, mas não é todo dia. Quase toda a cidade faz caminhada por aqui. Se for a tarde, aí fica difícil caminhar, porque é gente demais. Eu prefiro pela manhã. E aqui é gente de toda idade, homem e mulher. Antigamente era por aqui que as pessoas caminhavam (Dibes aponta para a passarela antiga). É muito estreito. Essa passarela nova é quase três vezes mais larga.

E essa história de que as pessoas te chamam de “doutor do açude”, é verdade?

Não, essa história aí não é comigo, é com o Mororó. Porque o Mororó só anda de roupa branca e todo mundo que passa por aqui encontra ele trabalhando. Quem foi que disse que era eu?

O açude foi realmente limpo? Você tem coragem de tomar um banho no açude, hoje?

Ta limpo sim. Não sei se já tem laudo autorizando banhar, mas a água antes era podre, escura e cheia de bagaço. Hoje você vê a água muito mais limpa. No começo, não sei se você se lembra, foi retirado mais de 800 carradas de caçamba cheia de lama aqui de dentro. As máquinas cavaram mais de 3 metro de largura nas margens e mais ou menos um metro de profundidade. A sujeira caia nas margens. Aqui eu já banhei, eu e muita gente. Pessoal que anda de Jet no açude, se molha todo, cai na água. O açude hoje é outro, agora o povo tem que cuidar bem.

Que mensagem você gostaria de deixar para o povo de Campo Maior?

Olha, eu queria agradecer ao povo de Campo Maior. Porque teve também muita gente que nos aplaudia. Assim como teve crítica no começo, teve também muito apoio. Minha mensagem é que o povo de Campo Maior acredite e saiba que ainda existe gente séria na política. O prefeito Ribinha é uma pessoa séria demais. Essa obra aqui é com recurso só da prefeitura, e ele está terminando. Se fosse outra pessoa, não faria. Você sabe que teve prefeito demais, no passado, que disse que ia ajeitar o açude e não fez nada. O prefeito Ribinha ta fazendo. Agradeço o Ribinha e o Paulo Martins que tiveram essa grande coragem. Campo Maior está de parabéns!

Fonte: Teste
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