CRÔNICA PARA O RÁDIO

Existe um ditado que diz “o sábio é aquele que está além de seu tempo”.

Existem pessoas que se encontram muito distante do seu tempo, não só pelo trabalho que realizam, mas pelo que representam para a sociedade ou pelo que falam e ensinam. Estas pessoas, muitas vezes são incompreendidas, criticadas, ridicularizadas. Existiu um homem assim entre nós: Hélio Ribeiro. O homem que tinha o “Poder da Mensagem”. Quando Hélio Ribeiro publicou o Poder da Mensagem, foi dito que naquele momento estava nascendo mais um grande potencial para a humanidade.

Hélio Ribeiro que já era bacharel em direito pela Universidade Mackenzie, jornalista publicitário, ex-diretor das rádios Tupi, Difusora, Jovem Pan, Rede Piratininga, Bandeirantes e finalmente Rádio Globo de S.P., ainda foi professor de comunicação da USP – Universidade de São Paulo. Aquele homem, quase essencialmente de rádio, acrescentava mais um título no seu currículo: Hélio Ribeiro escritor.

Hélio jamais esqueceu o rádio. Para ele a emissora era um pedaço de seu lar. Entretanto, fora ridicularizado por alguns menos competentes, mas ele era capaz de fazer diante do microfone o que muitos não tinham coragem nem talento. Fora duramente criticado em certa época de sua vida profissional, pois foi o único que não via hierarquia entre homens livres e de bons costumes. Hélio Ribeiro não gostava da mesmice; seus programas eram repletos de novidades a cada dia. Mas ele era um idealista, um inconformado, um moleque travesso, contestador ou se preferirem um titular do rádio brasileiro. Brincava com as palavras no microfone, dando-lhes um sentido especial próprio. Contestava e criticava tudo e a todos, porque acreditava que dessa forma a humanidade pudesse melhorar. Falava a verdade comprovada e repugnava a hipocrisia; achava que a verdade era soberana, e, sobre ela, ele disse de improviso na Rádio Bandeirantes de S. P. dia 31/12/75 que: “A verdade está acima do homem que dirige e do homem dirigido. A verdade esta acima da mulher que gera filhos e da mulher que mata a possibilidade de vida dentro de si. A verdade é una, indivisível. Ela é porque é”. Hélio Ribeiro cita no seu livro que “O grande sofrimento do Criador é tirar tudo de um nada qualquer, e depois ser julgado por qualquer um que nem com todos os tudos do mundo seria capaz de fazer um simples quase”.

Hélio Ribeiro já não existe entre nós, mas certamente está dando muito trabalho nas redações do infinito. Está elaborando matérias celestiais e está trabalhando, aprendendo e ensinando. Certamente encontrou companheiros e críticos, certamente, contestou, perguntou, exigiu o melhor de si e dos companheiros, mas continuou amando a todos como fez em toda sua vida na terra.

Que ame aqueles que se amam e que o amor deles possa acabar com o ódio daqueles que não tem amor nenhum”.   Helio Ribeiro.

Crônica proferida na Rádio “Mega – Hits” dia 16/10/2000
Cristiano Pereira

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