13/11/2018

CULTURA: Livro sobre a Batalha do Jenipapo será lançado ainda esse mês

No mês em que se comemora os 195 anos da Batalha do Jenipapo, o historiador Marcus Paixão vai lançar um livro que discute o tema e apresenta questionamentos sobre o resultado do confronto ocorrido em Campo Maior.

A capa: o cenário onde aconteceu a Batalha do Jenipapo. A imagem da capa é uma montagem envolvendo o Cemitério do Batalhão e uma pintura do artista Artes Paz.

Na semana passada o historiador Marcus Paixão anunciou em sua página no Facebook que mais um livro seu será publicado. O historiador campomaiorense já escreveu cinco obras, começando com História dos Batistas: uma história de Campo Maior (2010); depois lançou Nossa Fé Confessada (2013); seguido de Campo Maior Origens (2015) e Ensaios do Norte (2016). Agora lança Batalha do Jenipapo: morte e liberdade na mais sangrenta guerra pela independência do Brasil (2018).

O livro atual, diz o autor, é em comemoração à Batalha do Jenipapo. “esse livro é o pagamento de uma dívida com os heróis de nossa independência. Exitei um pouco em escrever essa obra, mas foi impossível resistir, pois a Batalha do Jenipapo foi um dos maiores acontecimentos ocorridos em Campo Maior”, disse o historiador.

Marcus Paixão: “a Batalha do Jenipapo é uma história de heroísmo e de amor patriótico”

O autor disponibilizou uma cópia do livro à nossa reportagem, e disse que discute na obra algumas questões que ainda não tinham sido analisadas por parte de outros pesquisadores. “no livro eu trato sobre o número dos mortos na guerra, seguindo a documentação brasileira e a documentação portuguesa, e ainda a tradição oral campomaiorense. Os resultados são surpreendentes”, comentou o autor, que não quis passar mais detalhes sobre os resultados de sua pesquisa.

Outra surpresa do livro é uma análise sobre os resultados da Batalha do Jenipapo. Segundo o historiador, não está correta a tese que considera Portugal vitorioso. “olha, morreu mais brasileiro, sem dúvida, mas quando falamos em vitória, precisamos pensar em resultados conquistados. O major Fidié fracassou em sua missão, e sua derrota aconteceu na Batalha do Jenipapo. Foram as consequências da guerra que trouxeram a derrota ao exército de Portugal”, frisou o historiador.

O livro também trata das narrativas que os dois países produziram, segundo Marcus Paixão, bem conflitantes quando comparadas. O autor analisou documentos, livros e a história oral e acredita que há uma diferença significativa nas fontes.

 

A POLÊMICA DO CEMITÉRIO DO BATALHÃO

Sobre a polêmica que surgiu dois anos atrás, envolvendo o Cemitério do Batalhão, o autor disse que preferiu não discutir o assunto nesse livro, mas assegurou que já está com documentos em mãos que serão usados para esclarecer sua tese em outra publicação que está a caminho. “Eu solicitei no ano passado e já recebi, do Governo Federal, documentação exclusiva, inédita, que vou apresentar em breve. A única coisa que posso garantir, é que estou no caminho certo. Em outro livro, que já está em andamento, vou tratar de modo mais detalhado sobre isso”.

Para quem não lembra do caso: em 2015, depois de declarações do historiador sobre suas pesquisas no Cemitério Batalhão, ele levantou questionamento sobre o sepultamento dos mortos da Batalha do Jenipapo. Marcus Paixão foi entrevistado por vários jornais de Teresina e pelos portais locais depois de dizer que os mortos da guerra podem não estar enterrados naquele cemitério.

O livro Batalha do Jenipapo: morte e liberdade na mais sangrenta guerra pela independência do Brasil será lançado em março, mas o autor não revelou o dia do lançamento; “será em março, mês da Batalha do Jenipapo, mas o dia exato ainda não foi definido”.