20/06/2019

URGENTE: Ministro Dias Toffoli é citado em delação premiada

O Presidente do Supremo era conhecido pelo codinome “Amigo do Amigo de Meu Pai”.

Ministro foi citado em delação premiada envolvendo a empreiteira Odebrecht

Na última terça-feira (09), um documento enviado pelo empreiteiro-delator Marcelo Odebrecht foi juntado a um dos processos da Lava Jato que tramitam na Justiça Federal de Curitiba. As nova páginas trazem esclarecimentos sobre uma série de mensagens eletrônicas entregues no curso de sua delação premiada.

No primeiro item, Marcelo Odebrecht responde a uma indagação da Polícia Federal acerca de codinomes que aparecem em e-mails. A primeira dessas mensagens foi enviada pelo empreiteiro em 13 de julho de 2007 a dois altos executivos da Odebrecht, Irineu Berardi Meireles e Adriano Sá de Seixas Maia.

No e-mail, Marcelo Odebrecht pergunta aos dois: “Afinal vocês fecharam com o amigo do amigo do meu pai?”. E Adriano Maia responde: “Em curso”.

Os agentes da PF, entre outras coisas, quiseram saber quem é o tal do “amigo do amigo do meu pai”, e pediram que Marcelo explicasse, “com o detalhamento possível”, os “assuntos lícitos e ilícitos tratados, assim como identificação de eventuais codinomes”.

Então, no documento juntado aos autos, Odebrecht explica:

“(A mensagem) Refere-se a tratativas que Adriano Maia tinha com a AGU sobre temas envolvendo as hidrelétricas do Rio Madeira. ‘Amigo do amigo de meu pai’ se refere a José Antonio Dias Toffoli”.

AGU é a Advocacia-Geral da União. Toffoli era o advogado geral em 2007. Por fim, o empreiteiro diz que mais detalhes do caso podem ser fornecidos à Lava Jato pelo próprio Adriano Maia:

“A natureza e o conteúdo dessas tratativas, porém, só podem ser devidamente esclarecidos por Adriano Maia, que as conduziu”.

Adriano Maia, antes de se desligar da Odebrecht, era diretor jurídico da construtora. Ele é citado como conhecedor dos negócios ilícitos da empresa, tendo atuado em esquemas de corrupção com Guido Mantega e Antonio Palocci.

Entretanto, na situação acima, trata-se do interesse que a construtora tinha na época de vencer a licitação para construção e operação da usina hidrelétrica de Santo Antônio, no rio Madeira. Para tal, Maia havia sido orientado a estreitar relações com a AGU.

Dias Toffoli, por sua vez, montou uma força-tarefa com mais de cem funcionários para acelerar, na Justiça, ações que envolviam o leilão. Houve um esforço enorme do governo para dar partida às obras.

O leilão, cujo principal beneficiário foi a Odebrecht, foi realizado em dezembro de 2007, apenas cinco meses após a mensagem em que Marcelo Odebrecht pergunta aos dois subordinados se eles “fecharam com o amigo do amigo de meu pai”.

A menção do Presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, despertou atenção dos investigadores. Uma cópia do material foi remetida à procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para que ela avalie se é o caso ou não de abrir uma frente de investigação sobre o ministro, pois, como este possui foro privilegiado, só pode ser investigado pela PGR.

Toffoli foi advogado do Partido dos Trabalhadores (PT) por anos a fio, e acendeu na carreira pública junto ao partido.

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