13/11/2018

REPORTAGEM ESPECIAL: “Toque de Terror” em comunidades rurais de Campo Maior

Município vem sofrendo atentados criminosos constantes, com a quebra e queima de pontes, sabotagem em obras estruturais e até ameaças à Defesa Civil. Confira em reportagem especial do Portal Livre.

A ponte da comunidade São Pedro vem sofrendo sabotagem. O caso foi parar na polícia

No último dia 05 de março o engenheiro civil Osvaldo Pereira registrou Boletim de Ocorrência (BO) junto ao 2º Departamento de Polícia da cidade de Campo Maior. O engenheiro pediu providencias policiais e investigação urgente por parte da polícia depois que barreiras que interditavam uma ponte de concreto foram retiradas, liberando o trânsito no local. Segundo o engenheiro, a ponte não podia ser liberada, pois o concreto ainda estava em processo de secagem e estabilização. O Portal Livre acompanhou o caso e apresenta agora reportagem especial sobre uma onda de terror que está tomando conta das pacatas comunidades rurais de Campo Maior.

 

INCENDIO CRIMINOSO NA PONTE DO SÃO PEDRO

O primeiro atentado aconteceu no ano passado, quando a ponte que ligava a localidade São Pedro à cidade de Campo Maior foi incendiada. Na madrugada, elementos não identificados, de forma criminosa, incendiaram a ponte de madeira, única via que permitia o acesso da comunidade à cidade de Campo Maior. A destruição foi completa.

Criminosos queimaram completamente a ponte do São Pedro

A RETIRADA CRIMINOSA DAS BARREIRAS

Ao tomar conhecimento do caso, o prefeito de Campo Maior visitou a comunidade e anunciou a construção de uma ponte de concreto em substituição à anterior. A obra foi realizada no mês de fevereiro, sendo concluída no dia 22 de fevereiro, sob os cuidados técnicos do engenheiro Osvaldo Pereira (empresa contratada). A ponte foi construída em pouco mais de quinze dias, e a previsão era liberar a ponte para o tráfego no dia 15 de março. Mas no dia 03 de março as barreiras foram retiradas sem autorização da engenharia, causando risco à estrutura da ponte e consequente o risco de grave acidente.

Escoras retiradas: sem o escoramento, engenheiro disse que uma tragédia poderia ter acontecido.

Segundo o engenheiro Osvaldo Pereira, “Toda obra de concreto, e no caso, essa ponte da comunidade São Pedro e Fazendinha, que tem uma lage de 30 cm de espessura, com concreto armado, ela precisa de 28 dias para atingir sua resistência máxima”. Segundo ele, antes  do prazo técnico não seria possível liberar a ponte com segurança.

 

AS ESCORAS DA PONTE SÃO RETIRADAS

O Engenheiro disse que a situação se agravou muito quando as escoras de segurança, que dão sustentação ao lastro da ponte foram retiradas criminosamente. “Nós iríamos liberar o tráfego aqui em 15 dias, mas as escoras têm que permanecer embaixo, mas como foram retiradas, a ponte não pode ser liberada ainda”, disse o engenheiro.

 

Um dos lados da ponte ficou vulnerável sem as escoras. Alguma escoras foram recolocadas

 

No outro lado, as escoras permaneceram. Segundo o engenheiro responsável, a estrutura da ponte correu o risco de desabar

Até a presente data os criminosos não foram identificados, mas fica claro que a comunidade vem sofrendo com a insegurança. A sabotagem, segundo acredita o engenheiro, poderia ter levado a uma tragédia.

“Algumas pessoas tiraram parte das escoras, acredito que com más intenções, porque a ponte tinha menos de 10 dias que foi concretada, e o cimento ainda não “morreu” como se diz no popular, ainda não estabilizou. A pessoa que fez isso, tirou as escoras com algum objetivo, porque não atrapalhava a passagem de ninguém”. Sem as escoras, a ponte poderia desabar e uma grande tragédia poderia ter acontecido.

Morador da comunidade, Francisco da Paz disse à nossa reportagem que até as tábuas que serviam como forro do concreto foram arrancadas. “Também tiraram as escoras, uns paus aí em baixo da ponte, e as madeiras ficaram arriadas. Não sei quem foi, quando eu cheguei aqui já estava tudo tirado de um lado da ponte. Não estava ainda no tempo certo de liberar a ponte”.

Sabotagem: Escoras da ponte que foram retiradas e depois recolhidas por moradores.

Depois disso um vigia faz a guarda da ponte da localidade São Pedro. Essa série de ações criminosas tem se espalhado em comunidades próximas, e muitos populares já estão com medo que algo pior aconteça.

 

INCENDIO DA PONTE DA COMUNIDADE SÃO MATEUS

A ponte da comunidade São Mateus também foi alvo de atentados criminosos. Há cerca de um mês criminosos tentaram queimar a ponte, mas o fogo foi avistado a tempo e moradores da região conseguiram apagar o fogo.

Tábuas com marcas de fogo denunciam a tentativa de incêndio na ponte do São Mateus

Partes da madeira ponte pegou fogo. As marcas do fogo ainda podem ser vista.

José Vale, morador da comunidade São Mateus disse que houve a tentativa de incêndio, mas conseguiram salvar a ponte: “tentaram tocar fogo nessa ponte aqui. Ela está assim, meia destruída, e tentaram botar fogo nela, na certa pra ver se faz uma nova”, disse ele, acrescentando que “a ponte chegou a pegar fogo, tem até as marca aqui, mas chegaram e apagaram logo”.

Por pouco: morador disse que o fogo foi apagado a tempo

Outro morador, de nome Neto, relatou que a comunidade vive o terror. “Tem gente aqui com medo desse negócio de queimar as coisas, mas aqui ninguém sabe, ninguém viu, ninguém sabe de nada”. Segundo ele, sem a ponte a comunidade vai sofrer muito mais. “Não é certo queimarem as pontes. Olhe, essa ponte aqui tá ruim, mas se queimar ninguém passa mais de jeito nenhum”.

Segundo populares, as comunidades estão ficando perigosas e as pessoas estão com medo

 

MAIS ATAQUES CRIMINOSOS

Alguns dias depois, a ponte voltou a sofrer ataques. Algumas tábuas da ponte foram quebradas, e duas grandes aberturas dificultam a passagem de carros. A situação está obrigando os motoristas a passarem por um desvio, mas se o volume de água do riacho aumentar, os veículos não poderão trafegar.

Criminosos voltaram a atacar a ponte e quebraram várias tábuas

A Prefeitura de Campo Maior anunciou que está estudando a situação, e que um projeto para construir uma ponte já está sendo preparado.

 

BARCO DA DEFESA CIVIL SOB AMEAÇA

Na manhã de ontem o chefe da Defesa Civil do município, Edilson da Vargem, disse que a prefeitura enviou um barco motorizado para o transporte emergencial de pessoas na Passagem da Negra, no rio Longá, mas que o barco precisou ser retirado por causa da ameaça de quebra do barco.

Edilson disse que precisou mandar recolher o barco para um local seguro. “Foi necessário retirar o barco, porque algumas pessoas estavam falando em quebrar o mesmo. Como as águas já estão baixa, permitindo que as pessoas passem caminhando, decidimos retirar o barco por segurança”, disse ele.

 

Edilson da Vargem, agente da Defesa Civil do município disse que o barco precisou ser retirado porque houve ameaças de ser quebrado

O PRESIDENTE DA COMUNIDADE ESTÁ TEMEROSO

O fato é que o terror tomou conta das comunidades rurais naquela região, e as pessoas correm até risco de vida. O presidente da comunidade São Pedro também pediu ajuda policial. Antônio Fernando disse que se nada for feito, uma tragédia pode acontecer na comunidade.

Presidente da comunidade São Pedro pede que a polícia investigue: é caso de polícia

“Pode acontecer até coisa pior do que isso na nossa comunidade, e já tá acontecendo, tiraram as escoras da ponte, que podia ter arriado. Na realidade eu acho que quem tá fazendo isso é mais um jogo político ou quem quer prejudicar a comunidade. Isso é caso de polícia porque foi um ato criminoso”.

 

AÇÕES JURÍDICAS E POLICIAIS

A Prefeitura de Campo Maior está acionando a Polícia e vai solicitar junto ao Ministério Público que o caso seja investigado e que os criminosos sejam detidos. “O município não pode continuar passando por atos como esse. Isso é terrorismo”, comentou o coordenador de comunicação em um programa de rádio local.