Quem é Marina Sena, a musa mineira da sensualidade pop e do refrão chiclete

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Em noites quentes de verão, mergulhar numa piscina, saborear laranjas frescas e dançar espontaneamente são programações tentadoras. Se tudo isso vier acompanhado de boas doses de humor e sensualidade, a experiência fica ainda melhor. É o que mostra Marina Sena em “Me Toca”, videoclipe da faixa que abre seu disco de estreia solo, “De Primeira”.

Vestida com seu cropped de strass reluzente, ela rebola ao som sexy da canção e, depois, brinca com um buquê de rosas, bebe taças de martini, se delicia com pedaços de pizza e não se cansa de exibir looks extravagantes, repletos de brilho e ousadia.

As cenas refletem bem a estética artística da mineira, que exala sedução, energia popstar e muita brasilidade. Aos 24 anos, Marina Sena vem se firmando como um nome promissor na música nacional.

“De Primeira”, lançado há duas semanas, já tem quase 4,5 milhões de reproduções no Spotify. Não é de agora, porém, que Marina vem ganhando visibilidade. Em 2019, quando integrava –simultaneamente– as bandas Rosa Neon e A Outra Banda da Lua, a cantora despontou com seu vocal agudo em hits como “Ombrim” e “Fala Lá pra Ela”.

Nascida em Taboeiras, cidadezinha do norte mineiro, ela diz que demorou para se descobrir como artista, porque, antes disso, se achava estranha.

“Por muito tempo, pensei ser esquisita, mas, com o tempo, descobri que sou só artista mesmo”, conta ela. “Até tentava seguir um script, mas nunca conseguia. Ficava com receio do tamanho da minha roupa, de chamar atenção, de ser muito desinibida.”

Ao se mudar para Montes Claros, ela ingressou na Outra Banda da Lua, em que trabalhou durante cinco anos. Em 2019, ao lado dos músicos Baka e Marcelo Tofani, formou a Rosa Neon, que rapidamente estourou na cena indie brasileira, apesar da duração efêmera, chegando ao fim no ano passado com um videoclipe de despedida, “A Gente É Demais”.

“O Rosa Neon era um projeto enorme, que demandava muito de mim, numa época em que também comecei a querer me lançar solo”, diz a mineira. “Mas eu sabia, é claro, que não conseguiria me dividir em A Outra Banda da Lua, Rosa Neon e Marina Sena. Não dava para ser os três. Então, apesar do carinho, saí da Outra Banda e desmanchamos o Rosa.”

E foi “Me Toca” que deu o play no projeto solo. Apoiada pelo Quadrilha, selo musical do rapper Djonga –com quem a cantora já compôs, no Rosa Neon–, a artista já tem mais de 1 milhão de visualizações no clipe, lançado há sete meses.

Acender uma vela e rezar se tornou rotina quando Marina convidou Iuri Rio Branco para produzir “De Primeira”. “Eu pedia a Deus para me conectar com o Iuri num plano astral. Estava com receio de ser um produtor que não entendesse o que eu queria no meu álbum”, lembra. “Mas ele é um profissional cabuloso. Entendeu perfeitamente, sem precisarmos de conversas longas.”

Os arranjos pop do disco seguem a estética divertida na qual ela tem se jogado desde o início da carreira, criados a partir de uma vasta mescla de gêneros e brasilidades.

“A indústria mainstream faz a gente pensar que para fazer pop é preciso fazer algo maçante, mas o pop é a música do mundo, a que atinge todas as pessoas e é carregada de referências”, afirma. “Aliás, acho que o pop sem referências não se mantém.”

Separadas em lados A e B, as faixas misturam sons como samba, axé, dancehall, reggae e MPB. A voz anasalada –presente em muitos cantores do sertão mineiro– se une ao canto agudo da artista, o que intensifica o tom sedutor das músicas. A sensualidade é, aliás, a grande zona de conforto da cantora.

“Mesmo que eu quisesse, não conseguiria não ser sexy. É assim que me sinto confortável”, afirma. “Acho que a sensualidade é exercida de diversas formas. Não existe nada mais sensual do que alguém confortável com o próprio corpo. Se a pessoa está confortável com a própria existência, ela é automaticamente gostosa. Pronto.”

Citando a cantora Gal Costa e a atriz Sônia Braga como musas sexy inspiradoras, ela diz ainda que há muitos –incluindo artistas pop– tentando forçar a sensualidade, o que sai pela culatra. “Para mim, é algo realmente muito natural. Gosto de aproveitar o meu corpo, sentir o fogo pela vida. A sensualidade nada mais é do que deixar fluir. Não se trata de tentar.”

É com essa mesma autoconfiança que Marina diz conseguir facilmente se imaginar com uma fama estrondosa pelo mundo inteiro. “Eu vou sonhar grandão, como se tivesse todas as oportunidades na palma da mão, mesmo passando muito perrengue.”

O segredo para tamanho otimismo é, segundo a artista, reconhecer o suor e qualidade do próprio trabalho. Para ela, seu crescente sucesso se dá pela vasta referência musical e por ser uma obra que “não tem pretensão de ser o que não é”.
“Eu não quero ser pop. Eu sou pop”, diz, explicando a maneira como compõe: primeiro, pensa num refrão chiclete e, depois, nas cenas chamativas de um possível videoclipe.

Como não chegou a subir ao palco solo, a cantora diz estar ansiosa para o retorno dos shows, mas que só se sentirá segura para isso quando todos estiverem vacinados contra a Covid-19.

Até o momento, ela é um dos nomes confirmados para os festivais Rock The Mountain, marcado para novembro deste ano, e Sarará, em agosto do ano que vem.

“Não imaginava que a fama viria tão rápido”, celebra a mineira. “Estou começando a bombar e a perceber que sonhar é realmente bom demais.”

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