Atriz de ‘Charmed’ associou perda de bebê a punição por abortos do passado

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Alyssa Milano, 48, conta que ao sofrer uma perda gestacional espontânea sentiu como se fosse um castigo por abortos que havia feito anteriormente. “Eu definitivamente tive esse momento de: ‘bem, estou sendo punida, basicamente, por abortos aos meus 20 anos'”, disse a atriz em entrevista ao podcast Me Becoming Mom, da People.

“Eu não notei na época. Demorei um pouco na terapia para perceber que isso era algo que eu estava colocando em mim mesma”, relembrou a atriz, conhecida por seus papéis na série “Charmed” e no longa “Jovens Bruxas”. Ela disse também que esse sentimento foi transferido quando conseguiu engravidar novamente.

“A maneira como eu interagia ou era com meus filhos –e acho que isso é comum –mas sempre me senti como: ‘e se algo acontecer a esses dois pequenos seres que eu amo tanto?’ e ‘há um mundo em que eles estão tirando-os de mim para qualquer resolução cármica necessária para acontecer?'”, disse Milano, que é mãe de Milo Thomas, 10, e Elizabella Dylan, 7, da união com o agente de talentos David Bugliari, 40.

Atriz definiu como “chatice” os abortos espontâneos que sofreu antes de ter os dois filhos. “Sei que muitas mulheres sofrem abortos espontâneos muito difíceis, mas para mim, foi parte do processo. Ambos os abortos foram, eu acho que eu estava com sete ou oito semanas de gravidez, então se a gestação não fosse viável, meu corpo fez o que deveria fazer. Eu ainda vejo assim “, esclareceu. Em 2019, a atriz já tinha falado sobre a própria experiência pessoal com o aborto em um episódio de seu podcast, Alyssa Milano: Sorry Not Sorry.

Ela disse que se submeteu ao procedimento duas vezes, ambas em 1993, com poucos meses de diferença entre uma e outra, quando tinha cerca de 20 anos.

“Naquela época eu sabia que não estava preparada para ser mãe, então escolhi fazer um aborto. Escolhi. Foi minha escolha. E foi absolutamente a opção certa para mim”, explicou à época, acrescentando: “Não foi uma escolha fácil. Não era algo que eu queria, mas era algo que eu precisava.
“Foi devastador”, acrescentou Milano. “Fui criada como católica e de repente fui colocada em conflito com minha fé. Uma fé que, eu estava começando a perceber, capacitava apenas os homens a tomar todas as decisões sobre o que era permitido ou proibido.”

Embora ela tenha continuado a usar métodos anticoncepcionais, soube alguns meses após o primeiro procedimento que estava grávida novamente. Mais uma vez, Milano teve sua gravidez interrompida. “Fiz o que sabia fazer para evitar a gravidez e ainda estava grávida, então, mais uma vez, tomei a decisão certa de interromper a gravidez”, disse.

Milano afirmou não se arrepender de suas decisões: “Eu não teria meus filhos lindos, perfeitos, amorosos, gentis e curiosos que têm uma mãe que estava muito, muito pronta para eles. Eu não teria minha carreira. Eu não teria a habilidade ou plataforma que uso para lutar contra a opressão com todo o meu coração. Nunca teria conhecido meu maravilhoso marido David, cujo amor constante e incomensurável por mim me sustenta nestes tempos terríveis”, concluiu à época.

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